Há cidades que nunca dormem, e há outras que, mesmo despertas, parecem sonhar. Banguecoque é ambas. Um turbilhão de cores, aromas e sons, onde o passado e o presente se entrelaçam como num filme do famoso realizador chinês Wong Kar-wai—intenso, vibrante, cheio de histórias que se desenrolam em cada esquina.
Foi aqui que David Beckham teve um templo com seu nome, onde o famoso chef Anthony Bourdain encontrou alguns dos melhores sabores do mundo e onde o icónico filme “A Praia”, de Alex Garland, começou sua busca pelo paraíso (e o encontrou na nossa outra viagem Baía do Paraíso).
Mas Banguecoque não é apenas um ponto de passagem. Ela seduz, hipnotiza, envolve. Em quatro dias, é possível viver múltiplas versões da cidade, cada uma revelada em ruas labirínticas, mercados flutuantes e templos que brilham ao sol, do amanhecer ou do final do dia, como joias ancestrais.
Dizem que, na Tailândia, o sorriso é uma segunda língua. E em Banguecoque, esse sorriso reflete-se no caos organizado dos tuk-tuks, na gentileza dos vendedores de rua e na arte, aperfeiçoada ao longo dos séculos, de bem receber. Aqui, tradição e modernidade convivem em harmonia: monges caminham ao amanhecer pelas mesmas ruas onde arranha-céus brilham com os seus letreiros de néon até ao amanhecer seguinte.
As margens do grande rio que corta a cidade contam histórias de reinos antigos e de comerciantes vindos de todo o mundo. Navegar por estas águas é ver Banguecoque de outra perspectiva, uma onde o tempo desacelera e a cidade desvenda-se em camadas, como um romance que se relê para descobrir novos detalhes, novas nuances e novas camadas de significado.
A gastronomia é um espetáculo à parte. Num simples prato de rua, há mais complexidade do que em muitos restaurantes espalhados e aclamados pelo mundo fora. Anthony Bourdain, o famoso Chef que percorreu o mundo a provar tudo o que havia de estranho e de mais delicioso, chamava à comida de Banguecoque uma experiência “quase religiosa”… e é difícil discordar ao provar um prato perfeitamente equilibrado entre doce, salgado, ácido e picante, preparado diante dos olhos do viajante numa panela fumegante em plena rua.
Quando a noite cai, Banguecoque reinventa-se. Os Rooftops oferecem vistas cinematográficas, enquanto os becos escondem bares secretos que poderiam ser o cenário de um romance noir. Seja em mercados noturnos iluminados por lanternas ou em templos onde o silêncio impera, a cidade segue o seu próprio ritmo, guiando cada visitante a uma experiência única e a uma memória inesquecível.
Quatro dias podem parecer pouco para absorver tudo, mas são suficientes para entender porque é que Bangcoc não é apenas uma cidade mas sim uma energia, um estado de espírito, um convite para quem procura mais do que uma viagem.
O espetáculo está prestes a começar.