Nem toda viagem é apenas uma ida de um ponto ao outro. Algumas são verdadeiras jornadas para lugares que parecem pertencer a outra era, onde a natureza domina e a paisagem é tão surreal que poderia ter sido cenário de um épico do cinema. A Ilha de Komodo é um desses lugares.
Quatro dias aqui não são apenas uma escapada, mas uma imersão num mundo onde dragões caminham livremente, praias têm areias cor-de-rosa e o oceano esconde criaturas tão misteriosas quanto as lendas que cercam estas águas.
Tudo começa em Labuan Bajo, a porta de entrada para o arquipélago. Dali, o barco parte em direção ao desconhecido, navegando por águas cristalinas que refletem o céu como um espelho. “A aventura não está no fim do caminho, mas no próprio percurso”, diz um antigo provérbio indonésio. Ora a viagem até Komodo já cumpre exatamente essa mesma sensação: o vento no rosto, o azul infinito do oceano e as ilhas que surgem como promessas de descobertas.
Claro que não podem faltar os dragões. O Parque Nacional de Komodo é o lar da maior espécie de lagarto do planeta, criaturas pré-históricas que caminham lentamente, mas com a imponência de quem reinou sobre a ilha por milénios. Há algo de cinematográfico neste encontro, como se estivéssemos num universo paralelo, onde o tempo passou de forma diferente. É sempre especial quando nos encaramos com uma espécie do tempo dos dinossauros, e quando é tão imponente quando esta, é verdadeiramente única a sensação. A ilha revela não só os famosos dragões, mas uma paisagem árida e selvagem, cortada por trilhos que levam a pontos e miradouros impressionantes.
Mas se a terra é impressionante, o Mar é igualmente especial. Dizem que as águas de Komodo são um dos últimos grandes paraísos para mergulhadores e snorkelers. As gigantes mantas-ray deslizam suavemente sob a superfície, enquanto corais coloridos escondem cardumes de peixes que parecem saídos de um documentário de David Attenborough. Depois, é hora de pisar em Pink Beach, uma das poucas praias do mundo onde a areia tem um tom naturalmente rosado—uma paleta de cores digna de uma pintura surrealista.
No topo de Padar Island, um dos visuais mais icônicos da Indonésia, o sol nasce sobre a paisagem de montanhas ondulantes e enseadas perfeitamente desenhadas, criando um momento de contemplação único e marcante. Como escreveu Joseph Conrad durante as suas viagens pelo arquipélago: “Esta é a beleza que pertence àqueles que não têm pressa”.
Visitar Komodo é mais do que uma experiência é uma expedição a um local onde a natureza impõe seu próprio ritmo e cada cena parece uma lembrança de um tempo em que o mundo ainda era selvagem.
Quatro dias podem parecer pouco, mas são suficientes para entender por que Komodo não é apenas um destino: é um universo à parte.