Há lugares que parecem pertencer a um mundo à parte, onde a realidade se dissolve em cores, aromas e sons que desafiam a lógica do tempo. Bali é um desses lugares. Não é apenas uma ilha, mas um estado de espírito, um cenário onde o sagrado e o mundano dançam juntos, como numa cerimônia hindu ao pôr do sol.
Os que chegam até aqui não vêm apenas buscar paisagens exuberantes ou praias paradisíacas, vêm atrás de algo que nem sempre sabem especificar. Foi assim com Walter Spies, o artista alemão que encontrou em Bali sua maior inspiração e ajudou a revelar sua beleza ao mundo ou com Elizabeth Gilbert, que transformou sua jornada de auto descoberta pessoal na ilha num dos livros mais lidos do século – o Comer Rezar e Amar. Foi assim com tantos outros que vieram, e se perderam nesta ilha, que segundo a lenda local, foi onde os Deuses escolheram morar, e, de alguma forma, ainda se encontraram.
Em Bali, tudo parece ter um propósito. Oferendas de flores que repousam nas calçadas como pequenos gestos de gratidão à vida, o vento que carrega o eco das músicas tradicionais tocadas em templos e em cerimónias budistas, os templos esculpidos em pedra negra que emergem como sentinelas de um tempo imemorial no meio da selva, do lado ou do mar. Aqui, a espiritualidade não é um conceito abstrato, mas algo que pulsa em cada gesto, em cada olhar, em cada pedaço de terra. Aqui os Deuses estão por todo o lado, em cada detalhe, em cada momento, em cada intenção.
Mas Bali não vive apenas de silêncio e contemplação. A ilha vibra em energia, seja na dança que conta histórias ancestrais sob a luz de tochas, seja na força das ondas que desenham o seu litoral e atraem surfistas de todas as partes do mundo. Há um equilíbrio invisível em tudo, como se a própria ilha soubesse que a harmonia está na fusão dos opostos.
O que se leva de Bali não são apenas memórias, mas sensações. A brisa morna ao entardecer, o aroma do incenso misturado com o das especiarias, o reflexo do sol sobre os arrozais, onde o verde parece brilhar de dentro para fora.
Como diz um provérbio balinês: “Não procure um caminho, procure um coração que o guie”… e talvez seja esse o maior presente da Ilha dos Deuses: a lembrança de que, às vezes, os melhores caminhos não estão nos mapas, mas dentro de nós.