Dizem que Jacarta nunca revela tudo de uma vez. A capital da Indonésia é um mosaico de histórias, uma cidade que se reinventa a cada esquina e onde cada dia parece um novo capítulo de um romance inacabado. Como escreveu Pramoedya Ananta Toer, o maior nome da literatura indonésia: “A história da humanidade é a história daqueles que lutam para serem ouvidos”. E Jacarta fala, com as suas ruas movimentadas, com os templos silenciosos, em várias línguas e religiões, nos sorrisos de quem cruza o caminho do viajante.
O primeiro ato da viagem é sobre Tradição e é uma imersão no passado. Entre vielas estreitas e mercados que parecem existir há séculos, percebe-se que a cidade carrega as marcas de impérios, mercadores e navegadores que fizeram desta terra um ponto de encontro de culturas. “A cultura é a identidade que carregamos para onde quer que vamos”, diz um provérbio indonésio… e aqui, essa identidade está viva em cada detalhe. Nas antigas fachadas coloniais, nos barcos que ainda navegam como nos tempos dos primeiros exploradores, nos rituais preservados pelo tempo e pela cultura de fusão que esta terra tem no seu âmago.
O segundo ato pertence à Modernidade e ao presente. Jacarta é uma metrópole que pulsa com a energia de milhões de pessoas e onde os arranha-céus refletem o céu tropical e os parques a dimensão desta metrópole contemporânea. Há um certo caos organizado, uma harmonia escondida sob a aparente desordem. Como no romance “Comer, Rezar, Amar”, quando a protagonista se perde para depois se encontrar, o viajante descobre que Jacarta é um lugar para quem sabe apreciar contrastes: becos cheios de tradição ao lado de cafés modernos, templos centenários cercados por centros comerciais futuristas.
Nenhuma história sobre Jacarta estaria completa sem um terceiro ato dedicado ao Paladar. A gastronomia indonésia é uma autêntica explosão de aromas e sabores, uma dança entre o doce, o picante e o perfumado. “A comida é a alma de um povo”, já dizia o icónico chef Anthony Bourdain, e a alma da Indonésia revela-se em pratos preparados com especiarias que viajaram pelo mundo e pararam aqui para se misturar com ingredientes locais. O calor da pimenta, o perfume do leite de coco, a crocância do arroz frito… cada garfada é uma pequena viagem por séculos de tradição.
Quando a noite cai e as luzes de Jacarta brilham como estrelas artificiais, percebe-se que três dias podem ser poucos, mas são suficientes para entender que esta cidade não se deixa resumir. Como um bom livro, ela pede para ser revisitada, para que novos detalhes sejam descobertos a cada leitura.
Jacarta espera para ser descoberta como uma peça de uma viagem que não vai deixar ninguém indiferente.